o fim de uma era
por piero barcellos às 11:00
Os atos secretos da política e a queda da obrigatoriedade do diploma de jornalismo perderam a sua devida importância nas conversas com os amigos. Os atentados contra a democracia no Irã se tornaram pequenos - nas redes sociais, os avatares de tom esverdeado ou que estampam um pedido de renúncia do presidente do Senado são, aos poucos, substituídos por uma das mil faces que o rei do pop adquiriu ao longo de 50 anos. Michael Jackson está morto.
A carreira de Michael Jackson pode ser comparada à sua grande marca registrada nos palcos, o moonwalk: inovador e único. Porém, a cada passo dado visando ir para frente, Michael recuava. Eram os escândalos envolvendo pedofilia, as atitudes excêntricas, os casamentos midiáticos, a mudança de cor… O desejo em superar o sucesso de Thriller (um trabalho que revolucionou as produções midiáticas e rompeu preconceitos com a música negra nos EUA) não foi atingido com os lançamentos posteriores.
Michael Jackson trilhou o mesmo caminho percorrido pelos grandes astros da música internacional, que mesmo alcançando o ápice do sucesso, foram engolidos pela própria lenda. Tal como Elvis Presley, outra majestade musical, MJ morreu precocemente, com um ataque do coração, na solidão da fama.
O astro leva para seu túmulo dois conceitos que os artistas pop de hoje esqueceram: a inovação e a atitude. É vergonhoso pensar que os ídolos da nova geração são bandas pasteurizadas que usam anéis de castidade, adolescentes precoces de sucessos efêmeros e bandas comerciais de um hit só. Michael Jackson representava a música na plenitude, seja na criatividade e ineditismo de Thriller, na consciência e mobilização de We Are The World, ou na balada dancante de Rock With You. Era capaz, mesmo na sua decadência, de arrebanhar fãs ao seu redor em qualquer lugar do mundo. É o fim de uma era musical que não mostra sinais de continuidade.
Salve Michael!




Carol Frantz | 26/06/2009 | 1:10 pm
.mais pop que pop. « Retalhos | 27/06/2009 | 10:37 am