44 no olho - reviews
Reviews
por leandro vignoli, renato angeli, leonardo ladeira, eddie schäfer, jaison kehwald
AC/DC
Black Ice
Por: Leandro Vignoli
Uma das condições pra se gostar dum AC/DC novo é que ele seja a mesma coisa de sempre. Boas novas, então. Black Ice destrincha o melhor deles, com melodias calcadas 100% em riffs, solos que não enjoam o estômago, cozinha mais pesada do que nunca (é uma marca desse AC/DC “repaginado”) e vocais marcantes, até mesmo pra quem acha ele uma bosta.
Ao longo de 15 faixas, o melhor fica na antêmica “War Machine”, no boogie-rock dançante da faixa-título, e em “Rock N’ Roll Train”, com o refrão mais rock-de-estádio do ano. Não há nada pra se desgostar. É a melhor mesma coisa de sempre deles em duas décadas.
SNOW PATROL
A hundred Million Suns
Por: Leandro Vignoli
O Snow Patrol em seus dois últimos álbuns passou do indie ao mainstream com dignidade criativa, fidelidade aos fãs e, sobretudo, muito talento em esculpir belas canções. Porém, depois de até mesmo encabeçar a trilha sonora de Homem-Aranha 3, com a música “Signal Fire”, o que vemos aqui é um excessivo uso da chamada “fórmula fácil” de composição. Ainda existem pérolas ocasionais e hits de seriado teen, como “Take Back the City”, “Lifeboats” e “Disaster Button”, mas canções descartáveis também aparecem aos montes. Cabe a você escolher as certas.
SKANK
ESTANDARTE
Por: Leandro Vignoli
Novela da Globo e Skank são quase sinônimos. Já foram 18 temas (dezoito!), e “Ainda Gosto Dela”, com oportunista participação da ex-rapper Negra Li no vocal, está em Negócio da China. É nada mais que um enxerto da melodia de “Beleza Pura”, cover de Caetano da novela anterior.
E ao longo de Estandarte pouco ou nada se salva. Metade dele é uma água-com-açúcar de quem descobriu Beatles com mais de 30 anos de idade (eu descobri aos nove) e sacou nada, e metade é pop canhestro que não passa perto dum hit massa como “Pacato Cidadão”. Aquela de A Próxima Vítima.
EAGLES OF DEATH METAL
Heart On
Por: Leonardo Ladeira
Se o teu lance é rock pra dançar, não deixa o nome propositadamente sisudo da banda desviar a tua atenção. Fruto da parceria entre Josh Homme (Queens of the Stone Age) e Jesse “The Devil” Hughes, EODM é puro rock n’ roll hedonista: letras bem humoradas, ritmos dançantes, palmas, bigodes, calças de couro, sexo e riffs setentistas.
Seguindo a onda de todos os projetos de Homme nos últimos anos, Heart On é mais limpo, mais pop, mais bem produzido e, por conseqüência, menos interessante que os discos anteriores. Ainda assim vale a conferida.
MARNIE STERN
This is It & I am It
Por: Eddie Schäfer
O álbum de Marnie Stern é de uma sonoridade impaciente do início ao fim. Dos riffs de guitarra furiosos, a garota – influenciada por Sleater-Kinney – destila melodias eficientes. Em “Transformer”, diante da cacofonia dos ecos da guitarra e da agilidade da bateria, ela canta em alto e bom som “Como eu posso ser todas essas coisas para você?” diante da avalanche de sons que encara.
Há momentos como “Ruler” e “Shea Stadium” em que a agressividade nivela-se à facilidade do pop. É música iminente, procurando roubar todo o ar necessário do ambiente e colocar o espírito roqueiro falecido para funcionar.
THE MARY ONETTES
The Mary Onettes
Por: Renato Angeli
Em um período de tantas novidades, resolvi falar de um disco lançado em 2007, mas que por um capricho do destino só chegou agora aos meus ouvidos. Este quarteto sueco de ótimo nome faz um som TOTALMENTE inspirado nos anos 80, mais ou menos como se o Coldplay tivesse surgido em 1986, mas com o vocalista do A-Ha, e influências de The Cure (muita), The Smiths (mais ou menos) e New Order (pouca).
Ouça "Lost", "Void" e "Pleasure Songs", nessa ordem. E sinta o que eu senti quando descobri que a banda que eu sempre quis ter já existe.
AZYMUTH
Butterfly
Por: Jaison Kehwald
O grupo brasileiro Azymuth com mais de 30 anos de estrada e respeitadíssimo pelos gringos, acaba de lançar o aguardado Butterfly, seu mais novo trabalho de estúdio, em que apresenta dez faixas com o melhor do jazz, do funk e do samba, confirmando o porquê dessa consideração toda.
Com uma homenagem ao pianista Herbie Hancock na canção-título do álbum, a banda detona competência e estilo nas músicas: “Avenida Rio Branco”, “Triagem”, “Os Cara Lá”, “Caititu”, entre outras. Essencial!
reviews
por leandro vignoli
AC/DC
BLACK ICE
Uma das condições pra se gostar dum AC/DC novo é que ele seja a mesma coisa de sempre. Boas novas, então. Black Ice destrincha o melhor deles, com melodias calcadas 100% em riffs, solos que não enjoam o estômago, cozinha mais pesada do que nunca (é uma marca desse AC/DC “repaginado”) e vocais marcantes, até mesmo pra quem acha ele uma bosta. Ao longo de 15 faixas, o melhor fica na antêmica “War Machine”, no boogie-rock dançante da faixa-título, e em “Rock N’ Roll Train”, com o refrão mais rock-de-estádio do ano. Não há nada pra se desgostar. É a melhor mesma coisa de sempre deles em duas décadas.
Leandro Vignoli
SNOW PATROL
A HUNDRED MILLION SUNS
O Snow Patrol em seus dois últimos álbuns passou do indie ao mainstream com dignidade criativa, fidelidade aos fãs e, sobretudo, muito talento em esculpir belas canções. Porém, depois de até mesmo encabeçar a trilha sonora de Homem-Aranha 3, com a música “Signal Fire”, o que vemos aqui é um excessivo uso da chamada “fórmula fácil” de composição. Ainda existem pérolas ocasionais e hits de seriado teen, como “Take Back the City”, “Lifeboats” e “Disaster Button”, mas canções descartáveis também aparecem aos montes. Cabe a você escolher as certas.
Leandro Vignoli
SKANK
ESTANDARTE
Novela da Globo e Skank são quase sinônimos. Já foram 18 temas (dezoito!), e “Ainda Gosto Dela”, com oportunista participação da ex-rapper Negra Li no vocal, está em Negócio da China. É nada mais que um enxerto da melodia de “Beleza Pura”, cover de Caetano da novela anterior. E ao longo de Estandarte pouco ou nada se salva. Metade dele é uma água-com-açúcar de quem descobriu Beatles com mais de 30 anos de idade (eu descobri aos nove) e sacou nada, e metade é pop canhestro que não passa perto dum hit massa como “Pacato Cidadão”. Aquela de A Próxima Vítima.
Leandro Vignoli
EAGLES OF DEATH METAL
HEART ON
Se o teu lance é rock pra dançar, não deixa o nome propositadamente sisudo da banda desviar a tua atenção. Fruto da parceria entre Josh Homme (Queens of the Stone Age) e Jesse “The Devil” Hughes, EODM é puro rock n’ roll hedonista: letras bem humoradas, ritmos dançantes, palmas, bigodes, calças de couro, sexo e riffs setentistas. Seguindo a onda de todos os projetos de Homme nos últimos anos, Heart On é mais limpo, mais pop, mais bem produzido e, por conseqüência, menos interessante que os discos anteriores. Ainda assim vale a conferida.
Leonardo Ladeira
MARNIE STERN
THIS IS IT & I AM IT...
O álbum de Marnie Stern é de uma sonoridade impaciente do início ao fim. Dos riffs de guitarra furiosos, a garota – influenciada por Sleater-Kinney – destila melodias eficientes. Em “Transformer”, diante da cacofonia dos ecos da guitarra e da agilidade da bateria, ela canta em alto e bom som “Como eu posso ser todas essas coisas para você?” diante da avalanche de sons que encara. Há momentos como “Ruler” e “Shea Stadium” em que a agressividade nivela-se à facilidade do pop. É música iminente, procurando roubar todo o ar necessário do ambiente e colocar o espírito roqueiro falecido para funcionar.
Eddie Schäfer
THE MARY ONETTES
THE MARY ONETTES
Em um período de tantas novidades, resolvi falar de um disco lançado em 2007, mas que por um capricho do destino só chegou agora aos meus ouvidos. Este quarteto sueco de ótimo nome faz um som TOTALMENTE inspirado nos anos 80, mais ou menos como se o Coldplay tivesse surgido em 1986, mas com o vocalista do A-Ha, e influências de The Cure (muita), The Smiths (mais ou menos) e New Order (pouca). Ouça "Lost", "Void" e "Pleasure Songs", nessa ordem. E sinta o que eu senti quando descobri que a banda que eu sempre quis ter já existe.
Renato Angeli
AZYMUTH
BUTTERFLY
O grupo brasileiro Azymuth, com mais de 30 anos de estrada e respeitadíssimo pelos gringos, acaba de lançar o aguardado Butterfly, seu mais novo trabalho de estúdio, em que apresenta dez faixas com o melhor do jazz, do funk e do samba, confirmando o porquê dessa consideração toda. Com uma homenagem ao pianista Herbie Hancock na canção-título do álbum, a banda detona competência e estilo nas músicas: “Avenida Rio Branco”, “Triagem”, “Os Cara Lá”, “Caititu”, entre outras. Essencial!
Jaison Kehwald



