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e agora, asimov?
por felipe de souza / fotos: mauricio capellari

A ficção científica sempre advertiu que poderíamos chegar a um tempo em que a vida seria comandada por robôs. Na real, algumas dessas coisas já são realidade em países como o Japão e a Coreia do Sul. No entanto, aqui nos trópicos, onde o investimento em pesquisa e tecnologia ainda é tímido, o mais próximo que chegamos disso são aquelas vozes frias (humanas ou não) das centrais de atendimento dos servidores de internet e empresas de TV a cabo ou as máquinas que vendem refrigerante.

Claro que os robôs já estão ao nosso redor, sob forma de braços mecânicos, garras e pinças; principalmente na linha de montagem das montadoras automobilísticas. No entanto, aquela forma humanoide guardada no imaginário popular parece não ter vingado. Mas, numa dessas cidades cortadas pela BR-116, conhecemos um nascedouro desses seres de fios e lata.


Lá é a sede da Bobetech – Tecnologia e Arte. A empresa, fundada há um ano pelos amigos Rafael Santos Benetti e Anderson Berteloto, projeta, fabrica e vende robôs que servirão de recepcionistas nas mais variadas feiras, podendo até tirar o trabalho das meninas que são oferecidas pelas agências de modelos.

“Nós criamos inicialmente isso, mas temos propósitos muito maiores em relação à robótica. Nós temos intenção de fazer robôs que possam ajudar as pessoas, participar da vida da gente”, planeja Rafael.

O primogênito da família Bobetech é Luck, uma quase réplica do R2 do Star Wars. O Luck trabalha desde 2004 e no momento curte uma licença médica, para reparos e uma nova pintura. Apesar de ser baixinho e de possuir uma aparência combalida, já foi parar no Jornal Nacional e na Globo News.

Outro filho da árvore genealógica da empresa é o Bobstar. De alta estatura e formas humanoides, a máquina escarlate prova a evolução de seus criadores. “Ele fala, dança e recepciona as pessoas com um aperto de mão. Tudo isso por causa de um sensor de calor na parte dianteira”, explica Anderson. Mal nos aproximamos de Bob, ele prontamente já estendeu a mão e saiu dançando e cantando Bad, um dos sucessos de Michael Jackson. A sonorização vinha da parte traseira do bicho, já que tinham cravado um tocador de MP3 na coluna do Bobstar.

O caçula é o Bobetron. De peitoral avantajado e pintura dourada, ele ainda espera ser colocado em ação.
Apesar de estar inserida no mercado de alta tecnologia, o labor dentro da Bobetech tem muito de artesanal. Tudo é feito no amplo galpão da fábrica, inclusive o molde da “carenagem” dos robôs. “As pessoas acham que trabalhar com robótica é fácil, que é só ficar na frente de um computador o dia inteiro. Mas não! Aqui tem muito trabalho braçal e pesado”, afirma Anderson.

Para o futuro, a ideia é que Luck e Bobstar ganhem irmãos que serão enviados a tarefas mais complexas, como limpar tubulações e desenvolver atividades na área industrial.

“Condições nós temos, só falta o incentivo.” Anderson refuta a ideia de que a proliferação da robótica cause o aumento no desemprego. “As pessoas substituídas por robôs serão deslocadas para tarefas mais nobres.” Ok, mas e as modelos das feiras, vão fazer o quê?
Info: www.bobetech.com.br



