hann á afmaelli í dag

54 hann á afmaelli í dag - na caixa

1001 discos para ouvir depois de morrer

por leandro vignoli

Você tem de ser alguém muito jeca pra desconsiderar o talento de Caetano Veloso – ou isso, ou ser o editor da Veja. O fato é que ele está para a música brasileira o que Romário foi para o nosso futebol. Alguém sem meio termo, muitos amam e muitos odeiam, mas que foi lá e ganhou uma Copa do Mundo sozinho (nesse contexto o Chico Buarque seria o Bebeto. O bom moço, que jogava bem, todos gostavam, mas o coadjuvante que jamais correu riscos). Tudo que se possa resumir da biografia de Caê é que ela foi irretocável de 67 a 79. Genial, até, pros mais fanáticos. Mas aí, existem recortes de época, que podemos delimitar.

Os anos 80 foram um erro. Os anos 80 foram um erro para a música. Os anos 80 foram um erro para a música feita no Brasil. Os anos 80 foram um erro para a música feita no Brasil por artistas da MPB. Os anos 80 foram um erro para a música feita no Brasil por artistas da MPB caso o seu nome fosse Caetano Veloso. As coisas deram muito errado pra ele, piorando de forma progressiva. Outras Palavras (81), Cores, Nomes (82) e Uns (83) tinham lampejos de boas músicas com produção canhestra (encaixar algo como RAPTE-ME numa música era um sinal).     

Tudo um ensaio para o 100% de erro que é Velô.  Músicas, letras, jeito de cantar, arranjos, produção, capa, tudo dá uma enorme vergonha alheia – especialmente ouvindo-se agora, 25 anos depois. O deslumbramento com as novas tecnologias e os sintetizadores teve efeitos de uma doença venérea em Caê – ou, como até no apelido errou, “Velô”. Logo de cara, em “Podres Poderes”, das mais famosas, o indício de que o jogo estava perdido antes de começar. Seria mentira? Pegadinha? Difícil concatenar alguém capaz de escrever “Sampa” caricaturando o rock nacional, quase que plagiando “Pro dia nascer feliz”, do Barão Vermelho (e pior do que um Caetano ruim é um Caetano ruim imitando o Cazuza).  

“O Quereres”, a outra bem famosa daqui, e que causa REBULIÇO INTERIOR numa série de meninas (ao menos as erradas com que tenho me relacionado), é de cafonice extrema, agregada à letra, que não faz o menor sentido. O timbre é tão BREGA BREGA BREGA (mil vezes brega) que lembra o asséptico som de máquinas de KARAOKÊ. Paradoxal, todos esses efeitos eram considerados MODERNOS. Mas o fato é que a euforia eletrônica causou estupores surreais. Reggae eletrônico, FREVO eletrônico e até SAMBA eletrônico (em “Língua”, a pior música brasileira já registrada). Talvez a década possa absolver Caetano de toda culpa, tal qual um ex-presidiário obrigado a dar o cu durante a pena. Provavelmente alguns preferissem ser presos a escutar Velô. Ou não.

nerd music

por leandro vignoli

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Pra gurizada que não consegue largar o console nem pra ouvir uma musiquinha esperta, já está na baila a edição de Lego Rock Band. O game é uma espécie de versão do tradicional Rock Band, só que com avatares adaptados em pecinhas de Lego (embora nem todos tenham um próprio, é bom dizer). Por enquanto, 45 músicas fazem parte da trilha sonora, que vão de “Let’s Dance” (David Bowie) a “Fire” (Jimi Hendrix), passando por “So What” (Pink), “Final Countdown” (Europe) e “Ruby” (Kaiser Chiefs).

O jogo é liberado para Nintendo DS, PS3, Wii e Xbox 360, e é compatível para os controles do Rock Band, como guitarras e etc. Segundo a Harmonix e a MTV Games, produtoras do jogo, a ideia é atrair o mercado infantil – como se precisasse, com tanto marmanjo nerd punheteando nos joguinhos. Agora a questão é confiar e aguardar para que saia um concorrente à altura, como o Playmobil Guitar Hero. Fica a dica.

só um selinho

por leandro vignoli

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A partir de janeiro de 2010, o serviço postal do Reino Unido, Royal Mail, põe em circulação selos com a estampa da capa de dez álbuns clássicos da Inglaterra. A coleção inclui discos de Led Zeppelin, Clash, Rolling Stones, Pink Floyd, David Bowie, Mike Oldfield, New Order, Primal Scream, Blur e Coldplay.

Eles foram escolhidos pelos editores de três das mais influentes publicações de música de lá (não divulgadas), e, de acordo com o pessoal do correio, a edição tem por objetivo celebrar o trabalho dos ilustradores, não a música em si. O que realmente me alivia. Porque, caso eu receba alguma carta da gringa com a porra do selo desse álbum cagado do Pink Floyd, juro por Jeová que nem abro a tal da carta (isso seria quase uma versão de vírus dos e-mails).

Ou mandaria uma resposta com o selo da capa de Todos dos Olhos, do Tom Zé, caso existisse um. Fica mais essa dica.

meio século de fumacê

por leandro vignoli

Há exatos 50 anos, nascia na Jamaica a Island Records, considerada o marco zero do reggae. Em comemoração, a inglesa Trojan Recordings, responsável pelo boom do movimento lá nos 60s, lança um boxset com hits do antigo catálogo. Bem antes disso, coletâneas de 91/92 se mostram ainda mais QUENTUCHAS. Resgatam os primórdios do estilo, mais melodioso e anárquico do que os ‘qué-qué-qué’ de guitarra que virou, e sem bandas preocupadas em afirmar conceitos em torno de Jah ou colocar roots no nome. Então se liga nos highlights de cada uma delas. Topa? Vâmo cair pra dentro?

THE ROOTS OF REGGAE – 18 SKA & REGGAE

CLASSICS

Roots of Reggae


Bob Marley – “Kaya”

Mais cru e VISCERAL do que a versão que se tornaria hit. Interessante notar que nessa fase pré-fama ele soava muito mais foda e captava bem melhor a VIBE da coisa do que a megaprodução do meio dos 70 em diante.

Augusto Pablo – “Java”

Verdadeira lenda, é apresentado num semi-instrumental com sua marca registrada: melodias de escaleta, groove e solos.

Desmond Dekker – “Israelites”

O CARA antes da figura de Bob, na melhor canção jamaicana da história. Soul contemporâneo, e que ultrapassa o rótulo “reggae”.

Prince Far I – “What you Gonna do on Judgement Day”

“A voz do trovão”, um EPÍSTOMO mais falado do que cantado, e óbvio primórdio do DUB.

Mikey Dread – “Barber Sallon”

OITO minutos de chapacêra de voz SAFADA, ritmo de percussão REFINADO e teclados que lá pelos cinco minutos SOLAM até o final. A mais MACONHÊRA do álbum, por assim dizer.

THE ROOTS OF REGGAE II – 20 SKA AND REGGAE CLASSICS

Roots of Reggae

The Upsetters – “Return of Django”

Pupilos de Lee Perry, ska instrumental de primeira carregado nos sopros e no racha-coco.

Roland Alphonso – “Phoenix City”

Saxofonista chave do movimento, idealizador da ponte ska>jazz>reggae, e que também tocava no Skatalites.

Skatalites – “Confucius”

A home-band do Studio On, e quase tudo produzido em Kingston. O som mais BEIRA DA PRAIA com ceva na mão de todas.

Dandy Livingstone – “A Message to you Rudy”

A original que viraria hit com a versão dos branquelos do The Specials.

Phyllis Dillon – “Perfídia”

Mix de reggae, soul e Etta James. Cai dentro.


THE ROOTS OF REGGAE III – 20 SKA AND REGGAE CLASSICS

Roots of Reggae

Lee Perry – “People Funny Boy”
O “Rei”, maior produtor de reggae ever. Não precisa muito mais que esse som pra saber por quê. Genial.

Alton Ellis – “Rocksteady”
Mentor do rocksteady, a ponte de ligação entre ska e reggae, de ritmo mais lento. A música é a primeira a citar o novo estilo.
    
The Ethiopians – “Whip”
Dos mais engajados da cena, destaque pra esse som encharcado de melodias em sopros e num bater de COPO. Percussão roots.