capai que não

53 capai que não - na caixa

coisas de quando o aluguel fica caro demais

por leandro vignoli

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Estamos no terceiro milênio, e um dos axiomas atuais é: Toda Banda Que Um Dia Tenha Acabado Um Dia Voltará. A estrela da vez é o Pavement, uma das principais do chamado college-radio americano dos 90s – se você é mais indie que todo mundo, deve chamá-los de lo-fi guitar-band. Segundo fontes oficiais (bom ressaltar isso, porque centenas de vezes houve o boato desse retorno), o quinteto volta em 2010 para uma turnê mundial.

Até agora tem quatro shows marcados pra setembro do ano que vem, em pleno Central Park de NY (ingressos à venda). Festivais como o californiano Coachella, em abril, estão na mira. Para os mais incrédulos, 1/5 da banda toca no Brasil agora em novembro, já que o baixista Mark Ibold atualmente faz parte do Sonic Youth, que vem pro Festival Planeta Terra. Outro axioma: Melhor Um Do Que Nenhum.

grunge never dies - pt.2

por leandro vignoli

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E, por falar em Sonic Youth, o líder da banda, Thurston Moore, é o responsável pelos textos do livro Grunge, que conta a história do movimento por meio de fotografias. As 180 imagens são todas em preto e branco e de Michael Lavine, o fotógrafo oficial da gravadora Sub Pop e figura central na estética visual das bandas do selo.

O livro conta com fotos de Mudhoney, Beat Happening, Smashing Pumpkins, Nirvana, entre muitas outras bandas, além da molecada nos shows. Nessa história, Moore também é peça fundamental, sendo responsável direto pelo Nirvana ter assinado com a major Geffen (da qual o SY já fazia parte), e escreve sobre as bandas, a cena de Seattle, e sua amizade com Kurt Cobain. É o quarto livro coescrito por ele, na sequência de No Wave, Punk House e Mixtape: The Art of Cassette Culture. Por enquanto, o livro tem apenas edição gringa, pela Abrams Books.

Info: www.abramsbooks.com

experiência crítica

por leandro vignoli

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Essa não é tão nova, na verdade é, literalmente, bem velha. Febre na internet, o programa Breakfast at Sulimay’s tem uma proposta superinteressante. Três idosos acima dos 60 anos comentam as novidades mais hypadas da música. Bill, Ann e Joe (que tem 84 anos!), após ouvir as músicas em fones de ouvido, opinam sem floreios, sem termos cool (como “cool”), metem o pau, tudo de uma maneira pra lá de espontânea, como se fosse uma conversa de bar – no caso, é o café da manhã no Sulimay’s, Filadélfia.

O programa é produzido pelo canal independente Scrapple TV, mas é facilmente encontrado no YouTube (sem legendas, é necessário entender inglês pra sacar o sarcasmo dos vozinhos). Ele ganhou, inclusive, novos quadros, com os velhotes fazendo entrevistas bizarras, como com a banda de black metal Marduk. Corre pra assistir antes que o programa morra. Ahn, literalmente.

a arte de olhar para baixo

por leandro vignoli

O rock shoegazer, como estilo, não colou, na verdade nem existiu. O cara que criou o nome foi esmagado, lá por 91, pelos criadores dos nomes brit-pop (na Inglaterra) e grunge (nos EUA). Tudo tinha a ver com estética, não com o som. O alicerce estava em bandas como My Bloody Valentine, Chapterhouse e Ride.

Bandas que tocavam olhando pro chão, pros “sapatos”, na verdade pros pedais de distorção. Portanto, tudo com muito pedal de distorção e vocais com volume mais baixo do que todo o resto era considerado shoegazer. Pelos críticos, não pelas próprias bandas.

Mas, quase duas décadas depois, a história repetida muitas vezes virou verdade. O shoegazer é referência pra uma pá de gente no cenário indie. Alguém já os definiu como “newgazer”. Não quero mais ficar pra trás no processo de inventar coisas. Portanto, conheça aqui três das New Wave of New York New Gazers. NWNYNG.

The Pains Of Being Pure At Heart

The Pains Of Being Pure

Fazem o estilo mais MIMOSO de shoegazer. As microfonias onipresentes servem sempre de background pra melodias doces e letras de amor (ou algo assim). Analogia: como se você assobiasse músicas do Elvis com uma abelha zunindo no ouvido. Outro rastro shoegazer no som são os duelos vocais macho-fêmea. Músicas como “This Love is Fucking Right” e “Come Saturday” (que deveria ser o hino oficial das sextas-feiras no trabalho num verão de 40°) vão te dar a noção exata da banda. Bittersweetice garantida ou seu dinheiro de volta.

A Place To Bury Strangers

A Place to Bury Strangers

Eles são um trio, encabeçados por Oliver Ackerman, proprietário da Death By Audio, empresa que cria pedais de distorção customizados para clientes como Wilco, U2, Thurston Moore e o seu próprio gozo. A referência óbvia é o disco Psycho Candy dos Jesus & MC, e uma caralhada de guitarra alta, distorção, microfonia e sinônimos.

Em algum lugar já foram descritos como a Banda Mais Barulhenta de Nova York. Talvez seja a mais do mundo todo. Isso sem perder de vista por nenhum segundo o senso melódico, e quiçá DANÇANTE.

Uma hora disso num clubinho electro faria com que todos saíssem porta afora com a mão nos ouvidos gritando chega!. Acabam de lançar o segundo disco, Exploding Head, nome bem apropriado.


Asobi Seksu

Asobi Seksu

Esse nome, do japonês, significa “sexo casual”, o que já deixa tudo interessante (a vocalista Yuki Chikudate também, caso você tenha o fetiche). O shoegazer aplicado pela banda é o mais viajante, psicodélico, com efeitos de guitarra em reverb, delay, tremolo e todos possíveis. Lançaram Hush, seu terceiro álbum, um pouco mais pra esfera de dream-pop de grupos como Slowdive (ó, outro rótulo). Recomendável com aditivos.
 

1001 discos para ouvir depois de morrer

por leandro vignoli

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Antes de qualquer coisa, uma rendição. Todo cara que escreve crítica sobre música, no final das contas, apenas tergiversa sobre aquilo que obviamente não tem como descrever em palavras. A diferença é que alguns escrevem em melhores palavras. Mas aquilo proposto por Kenny G foge ao meu poder de tergiversação. Quando você ouve um rock, qualquer besteira do tipo “a música começa lenta, para logo entrar uma melodia furiosa, que explode no refrão” é aceita. Você pode até encher linguiça com pedaço da letra. Agora, como raios fazer isso com algo como o proposto por Kenny G?

“Song Bird” é a música mais conhecida aqui, e tenho certeza de que você já ouviu. Mas o máximo que posso fazer para te lembrar é “foooom fom... foooom fooom fom... fom fom foooooom”. Isso foi minha tentativa frustrada de descrever em palavras o som de um saxofone. E é provável que todas demais músicas do Kenny G eu descreveria assim, apenas variando os “fom fom” de lugar. Mudarei o foco, então.

Talvez seja difícil abordar exatamente como é o som do cara, porém, é facilíssimo perceber o tipo de conotação que ele produz. Quando ouvia esse álbum na redação da rádio onde trabalho (e confesso, pulei muitas faixas), o tipo de frase que escutei foi “no supermercado sempre toca essa”, “minha psicóloga tem uma coleção de Kenny G lá no escritório dela” e “vai fazer a discotecagem numa festa de 15 anos, Vignoli?”. Talvez eu viva do modo ERRADO, mas isso não me pareceu um bom conceito.

Tudo que eu tinha em mente em escrever é que “Song Bird” provavelmente seja a música que mais serviu de propaganda para motel no mundo todo. Mas, num instante, tinha em mãos motel-supermercado-psicólogos-debutantes. E tem os elevadores, é lógico. Num ponto de vista mais profissional (ou da tergiversação), alguns discutem se Kenny G faz ou não jazz, ao que me pergunto QUE RAIOS ISSO IMPORTA? Seus BILHÕES de fãs se lixam pra isso, e sequer ouviram falar de Coltrane, por exemplo. E você pode se espantar com o mundo em que estamos, mas eles é que são a MAIORIA, não nós.

Duotones foi o disco que abriu as portas para o sucesso de Kenny, e é sua obra-prima da ruindade porque foi concebido nos anos 80, então não apenas há o seu terrível e inquebrável saxofone soprano, como todos os outros timbres cafonas daquela década, a ponto de as duas faixas não-instrumentais terem bateria eletrônica e handclaps. O que também não importa tanto assim. Breathless, lançado alguns anos depois, é o álbum instrumental mais vendido da história. E toda vez que ele toca no avião eu assobio.