51 de lado - na caixa
sai da minha aba
por denise rosa, gabriela m.o. e deisi pedroso
Característicos da cultura rapper, os bonés agora viraram artigos obrigatórios na balada, do pop ao alternativo. Recentemente adotado pelos modernos e pela tribo From UK, o boné com aba reta já é acessório hype.

E é para agradar a todos os públicos que acaba de chegar ao Brasil a linha Colors da New Era. O próprio nome denuncia que a novidade está no arco-íris de cores aplicadas em novas versões do modelo 59 Fifty, um ícone da marca que existe desde 1920 e é bem popular lá fora.


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Falando em New Era, o lugar onde você pode encontrar os modelos mais descolados da marca em Porto Alegre é na loja Convexo, dos shoppings Iguatemi e Praia de Belas. Tem bonés incríveis com estampas xadrez ou decorativas. Para os mais discretos, tem também lisos, em jeans ou preto, mas com aquele bordado cheio mais do que característico da marca.

Porém, o preferido da casa não tem bordado nem nada, mas é esse todo silkado como se o boné estivesse coberto de adesivos e etiquetas. Não é pra qualquer um.
Info: www.convexo.com.br
men at work - brazil 96
por leandro vignoli
Brasileiro é o cafetão que tem ciúmes, a prostituta que se apaixona, o traficante que se vicia. Foi o Tim Maia quem disse isso, coberto da mais pura razão. Entre outras dessas galhofas, brasileiro é o que torce sempre pro mais fraco e abraça desconhecido chorando no meio da rua. Assim tão afável e hospitaleiro, pro mercado da música o Brasil virou uma espécie de canteiro de adubo onde qualquer esterco tenta florescer novamente. Qualquer coisa que não faz mais sucesso em lugar algum, é exatamente na nossa terra varonil que o fará. E talvez o Men At Work seja a maior prova disso.
Um dia, num distante e longo tempo atrás, a banda australiana – pasmem – realmente fez sucesso na gringa, isso na metade dos anos 80. Mas não vamos tentar entender motivos aqui, deixamos o retardo mental para profissionais da área. Um pop-rock inacreditavelmente brega, guitarras dum tiozinho estrábico somado a melodias de sopros (ora saxofone, ora flauta), creio que sorteadas no cara ou coroa.
Tenebroso, mas foi rápido. A banda lançou apenas três discos, e pro bem de todo o planeta, acabou. Menos pro Brasil, em especial as rádios FM do Brasil. Como tudo demorava bastante pra chegar aqui no país, do começo dos anos 90 em diante todas aquelas músicas passaram a fervilhar nas rádios. Pior: como se fossem novas! Ou pior: eram sempre as mesmas! E pior ainda: tocam sempre em programas de surf-music! Em nenhum lugar do hemisfério se faz essa relação do Men At Work com surf, é só por aqui mesmo.
E com todos esses maus fluidos, aconteceu o inevitável. A banda voltou pra fazer shows no nosso continente. Tão famosos por aqui (e somente aqui), resolveram até lançar um disco ao vivo exclusivo pra gente, o Brazil ’96 (anos depois ele saiu no exterior também, como Brazil). Então, mais patético do que uma banda existir até hoje e seu último lançamento de estúdio ser de 1986, a própria gravação é uma mixórdia.
As palmas e os gritos entre canção e outra são notadamente efeitos de estúdio. Mesmo porque o Men At Work é o tipo de coisa que não tem fãs. No máximo, tem aquele cara que compra uma coletânea da Millenium no balaião da Multisom pra ouvir as mesmas quatro músicas de merda de sempre. Aliás, apesar das torturantes 17 faixas, distribuíram essas quatro de maneira a ninguém dormir durante as outras.
“Overkill” é a 2, “Down Under” a 7, “Who Can It Be Now?” a 10, e “It’s a Mistake” é a 15. Sendo impossível desconhecer qualquer uma dessas, o melhor mesmo seria ter qualquer outra coisa na mente. Sei lá, até uma bala dum trezoitão. E torcer pra que no inferno não toque nenhuma FM brasileira.
além da beyonce em casa
por leandro vignoli
...sai no próximo dia 11 de setembro o álbum Blueprint 3, novo do Jay-Z. Fodão que só, a data se refere ao primeiro disco da trilogia, que saiu em 11 de setembro de 2001, nada a ver com certas duas torres que foram explodidas em plena Nova York. É o primeiro disco de Jay-Z pelo seu próprio selo, Roc Nation, após ele desembolsar 5 milhões de dólares pra romper o contrato com a gravadora antiga.
Com produção de Kanye West, o álbum é uma espécie de levante contra o Auto-Tune, programa que corrige falhas vocais, e faz alterações como o “efeito Cher”, que a cantora utilizou em “Believe” nos anos 90. Irônico (ou não), West utiliza o irritante efeito em TODAS as faixas do seu álbum 808s & Heartbreak. O vídeo para “D.O.A (Death of Auto-tune)” já está na rede, assim como todas as faixas de Blueprint 3. Ótimo pra quem curte um correntão de ouro, mesmo no pescoço dos outros.
ritmo e poesia parte II
por leandro vignoli
Às vésperas de lançar mais um álbum, péssima notícia pros fãs de Beastie Boys. Foi anunciado que um dos MCs, Adam Yauch, vulgo MCA, está com câncer nas glândulas salivares. Com isso, o lançamento, assim como a turnê de divulgação de Hot Sauce Committee Part 1, ficam adiados para o ano que vem. Seria a volta do trio aos vocais, depois do exclusivamente instrumental The Mix Up, de 2007.
Ainda assim, já está pela internet uma das faixas inéditas do álbum, “Too Many Rappers”, com participação de Nas nos vocais. Com o cancelamento, fica suspensa também a parceria inusitada com Bob Dylan, que faria um spoken word na Part II do projeto, também prevista pra este ano. Lembrando que as caprichadíssimas reedições dos discos clássicos do trio, como Check Your Head e Ill Communication, seguem normalmente. Indispensável, ein, nêgo!... Ou melhor, branquelo!
entre uma modelo e outra
por leandro vignoli
Pra fechar a trinca de artistas nova-iorquinos, o vocalista do The Strokes, Julian Casablancas, anuncia que vai lançar seu primeiro álbum solo. Previsto para o outono gringo (setembro ou outubro), Phrazes for the Young foi gravado entre Los Angeles, Nova York, em seu estúdio caseiro, e Nebraska (o estado do produtor, Mike Mogis). Entre as músicas que tiveram os nomes revelados estão “River of Brake Lights”, “Ludlow St.” e “Glass”.
Dessa forma, o filho do John se iguala a seus parceiros de banda em projetos paralelos, já que o guitarrista Albert Hammond Jr. tem dois álbuns solos lançados, o batera Fabrizio Moretti mantém o Little Joy, e Nikolai Fraiture usa a alcunha Nickel Eye. Para aqueles que quiserem aguardar um retorno do Strokes, vai uma dica quase infalível: três ave-marias e dois pais-nossos.
crônica de uma morte abençoada
por leandro vignoli
Nunca vi e ouvi tanto Michael Jackson quanto agora do seu passamento, e tenho idade suficiente pra ter visto e ouvido muito ele no seu auge. Mas a questão é que nos últimos 15 anos o cara foi tratado como aberração, que colocava máscaras nos filhos, transfigurou o corpo, molestou crianças e etc.
Injustamente, ou não, o caso é que dentro de seu contexto músico-artístico, Jacko nem aparecia mais na mídia. Então, diante da comoção mundial e o chamado “showneral” que foi seu velório, resolvi divagar que, no fim das contas, pra alguns ícones da música é mesmo melhor estar morto do que vivo. Será?
...E SE ESTIVESSE VIVO
Elvis Presley: estaria com uns 150 quilos e com olheiras roxas maiores que aquelas do Tim Maia. Seria um bom sogro e regravaria “Thriller” no Natal.
Bob Marley: teria gravado com Natiruts, Chimarruts, todos os ruts, aumentando a credibilidade dessas nabas e, claro, jogando no lixo a sua própria.
Kurt Cobain: duvido, mas é até possível que tivesse lançado outro baita disco. Só que banguela e puro osso, certamente já teria se matado de novo.
2Pac Shakur: não lançaria a metade dos discos que “lançou” depois de morto, e também não teria feito tanta grana. Muito irônico isso. Ganho uma mixaria e gasto tudo em festas, bebidas e mulheres. E 2Pac, gasta no quê?
John Lennon: apenas pra ficar numa das terríveis coisas, veríamos muito mais vezes a fuça da Yoko Ono por aí. Quiçá todo o resto da Yoko. Nojo, ein?
Renato Russo: antes mesmo de morrer ele já gravava cover de Laura Pausini. Baseado nisso, provavelmente estaria pagando mico maior que Nasi, Dinho Ouro Preto e todos os Titãs juntos. Posando na G coberto de rosas, talvez.
...E SE ESTIVESSE MORTO
Roberto Carlos: nesses 50 anos de carreira comemorados, pra se COMEMORAR mesmo só tem uns 20. O resto dela é uma coisa danada de triste. Gordinhas, pena na cabeça e “se ela dança, eu danço” estão aí pra nos provar.
Jagger/Richards: se Mark Chapman fosse fã de Stones, em 80 a banda viraria mito e não se ARRASTARIA pelos palcos, com a condescendência de todos.
Axl Rose: sem falar na banha e em todo o visual de rapper texano, Chinese Democracy é a maior prova de que pra alguns a morte seria uma bênção.
Madonna: no mínimo, teria encontrado com um Jesus muito diferente. Rá.
Stevie Wonder: não teria VISTO a triste morte de Michael Jackson. Foi ele quem disse no funeral, hein, não eu.



