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50 léguas daqui - matéria 03

lar maUdito

por lucas pexão / fotos: mauricio capellari

Lar Maudito

Fabio Zimbres mora em um apartamento que também é seu ateliê e biblioteca. É o lugar onde ele preserva e aproveita suas inúmeras coleções, e também onde cria uma coleção difícil de colecionar: o conjunto de sua obra em histórias em quadrinhos, ilustração, design gráfico, animação e arte. Sobre o que tem no seu ap, no geral estamos falando de papel, muito papel.

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Folhas soltas ou encadernadas de todas as maneiras possíveis, cheias de desenhos geniais dele e dos outros melhores desenhistas do mundo. Os desenhos vão das folhas para fanzines, revistas e livros, ou entram em envelopes que viajam o mundo, etc. Isso sem contar a função do computador, uma espécie de liquidificador gráfico nas mãos do artista, e de onde sai a trilha sonora perfeita para um lugar desses. Conhecer o lar de Zimbres ajuda a entender um pouco melhor como surgem suas idéias e traços atípicos, além de revelar pistas preciosas para entrar no universo da arte gráfica underground. Um universo de papel onde ele reina supremo, bondoso e mocado.

Lar Maudito


“Eu resolvi que ia colecionar gibi quando era criança. Passei de um colecionista completista pra um abrangista. Vou atrás de variedade: o que me interessa são as coisas diferentes e as publicações alternativas.”
 
“Nas prateleiras, além de jornais, revistas e livros, tem objetos inúteis como um ferro de passar roupa, um ventilador e uma coladeira de super-8. Coisas que eu guardo só pela forma que elas têm.”

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“Tem uma seção que são livros que eu acho interessantes como objetos, e vou me apropriar deles pra projetos próprios. Tanto pode ser por causa do formato deles, quanto do tema original deles ou do papel em que são impressos e que me dá vontade de colocar tinta ou riscar com um lápis.”
 
“Eu não me alimento mais, jogo fora o conteúdo e guardo as embalagens.”

“Estava ouvindo uma coletânea chamada Bugalú - Gózalo!, com conjuntos do Peru. Agora está tocando Yma Sumac.”

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“Passei uma fase escutando música do leste europeu, depois indiano, bollywood, latin jazz, bandas japonesas, garage rock, post punk, sanfonas de oito baixos, trilhas do Godzilla... Vou pulando de um pro outro.”
 
“Recentemente saiu coisa minha em Portugal, naquele catálogo da exposição Divide et Impera, e tem o catálogo do festival argentino Viñetas Sueltas. Tem o Livro Xirugravura. Só meu sai o livro das tiras Vida Boa em julho. E o que mais? Tem o Música para Antropomorfos. E a edição boliviana de El Apocalipsis según el Dr. Zeug.”

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“Sei que pode chegar um dia em que não dê pra guardar mais tanto livro, mas não penso em jogar fora, porque seria parecido com deixar um cachorro no lixão. Você tem que ser responsável pelas coisas que junta.”