49 fora do gelo - na caixa
overdose de limonada
por leandro vignoli
No próximo dia 11 de agosto, sai na gringa um balaião comemorativo aos vinte anos da estréia dos Stones Roses, um dos álbuns mais fodas até hoje. A primeira opção é um CD em edição especial, com todas as faixas originais remasterizadas pelo líder da banda, Ian Brown, e pelo produtor do disco, John Leckie.
A segunda balaca traz um CD duplo, com o DVD Legacy Edition, com gravações demo, e o filme Live in Blackpool, duma apresentação filmada na época, em 89. Pra fechar, o pacote Collectors Edition, além de tudo isso, vem com mais três LPs com faixas do álbum e outras não-lançadas. Pros mais tecnológicos, esse pacote ainda traz um pen drive de 2GB no formato de limão (igual à capa do disco, sacou?), com todas as músicas, vídeos, ringtones e wallpapers, além de um livro com trocentas fotos da banda e de amigos, como Noel Gallagher. Ainda rolam seis rascunhos das capas dos singles lançados pelo Stones Roses, desenhados pelo próprio guitarrista, John Squire.
liga extraordinária
por leandro vignoli
O bizarro Alan Moore entrou na produção dum audiobook, supostamente com uma ênfase autobiográfica. O escritor de Watchmen (entre outras pérolas das HQs) gravou duas horas de falação em Northampton, onde mora, e a idéia é que isso seja lançado junto com uma trilha sonora feita por caras como o também bizarro Mike Patton, atualmente bem ocupado na turnê de retorno do Faith No More.
O projeto deve se chamar Unearthing, e a previsão de lançamento é apenas para 2010. Todo o processo de gravação foi filmado, o que no fim das contas ainda pode render um grande cataclismo-multimídia-nerd (até porque Moore também desenhou toda a arte). O lançamento fica por conta do descolado selo inglês Lex Records, a casa de nomes como o figuraça Danger Mouse, dos Gnarls Barkley. Até lá, aguardem muitos boatos e bizarrices via twitter e assemelhados.
edição muito ilimitada
por leandro vignoli
Falando nisso, bastante hypado via internet, o lance de Danger Mouse era lançar um álbum mixando artistas os mais diversos possíveis, e fazer uma espécie de trilha pro livro de fotos de David Lynch, o diretor de cinema.
Porém, às vésperas do lançamento de Dark Night of the Soul, a gravadora EMI embargou tudo por essas questões de direitos autorais – aliás, só mesmo as gravadoras ainda não sacaram que isso já eras em tempo de internet. Ou seja, todas as músicas foram parar na web, e entre as participações estão Iggy Pop, Frank Black (Pixies), Julian Casablancas (Strokes), e mais um monte de nomes. Então o que fez Danger Mouse? Oficialmente, lançou só o livro com as fotografias, que vai acompanhado dum CD virgem com a mensagem “por razões legais, o CD-R não contém músicas. Use como quiser” (dica da redação: filmes pornôs).
Portanto, para os aficionados por arte vanguardista de plantão por aí, pra comprar o livro basta ir ao site oficial www.dnots.com. Espero que, pelo menos em fotos, dê pra entender algo do Lynch.
pintando o sete
por leandro vignoli
Uma para os aficionados por outro tipo de arte. O inglês Andy J. Miller, da Koma Design, resolveu lançar livros para colorir baseado em bandas de indie-rock. Nerd que só e possivelmente traumatizado por ter pintado livros com algum desenho do Bozo, a sua nova peripécia, The Indie Rock Coloring Book (auto-explicativo, ahn?), sai no dia 22 de julho.
O livro tem a colaboração do Yellow Bird Project, que vende camisetas de bandas (indies, claro) e reverte toda a grana para projetos beneficentes, escolhidos pelas próprias. Alguns dos artistas que podem ser coloridos no livro são The Shins, Broken Social Scene e MGMT, com os royalties na mesma vibe social.
Ok, é sempre massa estar disposto a ajudar e tal, mas não entendi bem qual seria o público-alvo do projeto. Filhos pequenos de fãs de indie-rock não poderia ser, afinal, esses dificilmente trepam, ao passo que devo imaginar que o objetivo seja atingir os próprios fãs de indie-rock, como opção justamente para o fato de não treparem
o não-show do oasis
por leandro vignoli
Começou errado desde antes do princípio. Quando anunciaram que o ingresso seria 140 mangos, pensei em todos os shows fodas em que fui, e nenhum chegava a esse valor. Tempos depois, nessa época de internet, rapidamente fiquei sabendo o setlist da turnê. Mesmas músicas, mesma ordem, mesma cara de bunda. Do único álbum de que gosto, Standing on The Shoulder Of Giants, não havia nenhuma. Do seguinte, que até curto, tocariam apenas uma. O que obviamente demonstra que Noel Gallagher e eu pensamos diferente quanto à qualidade de uma música. E, obviamente, fiquei aliviado por isso.
Em resumo, seria um show baseado nos dois álbuns clássicos – o rock de barzinho – e nos últimos, quando ficaram parecidos com Cachorro Grande – que acho uma droga. Então seria como pagar o valor total por apenas uma única música, um valor que poderia ser mais bem empregado em apenas uma única trepada. E, pra continuar na parte financeira, somente dois tipos de pessoas vão a shows caros assim: os superfãs e os super-ricos, que gastam a grana em qualquer coisa que possam encaixar numa conversa genérica.
Agora, por ter um prazer mórbido de ver shows [confesso ter visto coisas bem piores], tive uma idéia. Ir até o local, torcer pela baixa procura de ingressos e descolar [muito] mais baratinho com um cambista. Mas consegui, no máximo, travar um embate com o vendedor não-oficial. Como naqueles filmes em que vem uma moto de cada lado, e alguém tem de desviar, o cara achou que, na condição de fã, eu acabaria comprando, ao passo que, pra não ter prejuízo, achei que ele acabaria vendendo. Negociação falhada, sem o ingresso, e com a acústica do Gigantinho sendo uma merda, resolvi ouvir de fora. Agüentei cinco músicas, e sem os fãs retardados de Oasis, playboys com loiras bregas no ombro, e a visão dos cortes de cabelo ruins da banda, até que tava um puta show.
Porto Alegre continua o máximo, com o público mais animado e o povo mais culto, e deve ser por isso que pra cá só vêm bandas que perderam relevância há mais de década. Como tenho orgulho de nós. Muito boa sorte com o próximo show. Talvez o Rush?
1001 discos para ouvir depois de morrer
por leandro vignoli
Tudo começou a dar errado no rock n’ roll quando alguma meia dúzia de estudante abostado de música resolveu levar a parada a sério e chamar essa coisa de “rock progressivo”. Um gênero que podia fazer até mesmo com que o líder duma banda de rock fosse um FLAUTISTA. E que podia fazer até um país como a Holanda ter alguma relevância afora a cannabis legalizada e a red zone.
Exato. Rock progressivo holandês, eis o que é o Focus. Qualquer pessoa sã desistiria de ouvir a banda só pela expressão “rock progressivo holandês”, mas, vá lá, dando uma chance, a abertura de Moving Waves tem o seu valor, pelo menos por alguns segundos. “Hocus Pocus” tem um puta riff de guitarra, daqueles de lembrar os maiores hinos do Deep Purple (ATENÇÃO: IRONIA!).
Porém, vem aquele solo de ACORDEOM. Depois, um solo de bateria. Aí, rá, um solo de FLAUTA. Solo de ASSOVIO. Solo VOCAL. São tantos os solos na música que o “puta riff de guitarra” parece ser algo da imaginação. Porém, essa é a música audível do disco. As demais são pequenas suítes que mesclam ora aprendizagem barata de piano clássico (e obviamente se alguém quisesse escutar um som erudito não seria com a porra duma banda de ROCK PROGRESSIVO HOLANDÊS), ora melodias em flauta pra animar a sua subida-e-descida no elevador (algo que, claro, o Phil Collins faz bem melhor).
Óbvio, também, que numa banda de rock progressivo – holandês – um termo como “pequenas suítes” não dura muito. A última faixa, “Eruption”, são atordoantes 23 minutos de música (ou de solos) baseada na ópera Eurídice. Pra resumir esse álbum. Imagine um cara perto dos quarenta, loiro e másculo, muito bem-sucedido no escritório de advocacia, cabelos cuidadosamente penteados pra trás, em casa na sua banheira, o corpo UNTADO de óleo, se MASTURBANDO em câmara lenta, até o ponto de chupar o PRÓPRIO PAU. Caso você de fato não esteja preparado pra imaginar isso, fuja desse disco.



