48 na mosca - matéria 03
cola
por tobias sklar / fotos: arquivo pessoal sesper
Pessoas como Sesper são tão multifuncionais e hiperativas que é quase impossível se prender a uma linha, um estilo, que dirá a apenas um trabalho ou obra. Por isso, vamos mostrar aqui pequenos pedaços do Universo Sesper e recomendar que você acompanhe as idas e vindas desse artista brasileiro que transita por música, artes plásticas, skate, mídias, vídeos, marcas, galerias, etc., etc. e etc.
VOID: Começamos pela arte. A última que eu sei foi a exposição na Carmichael em Los Angeles. Como foi e quais as próximas?
SESPER: Foi bem legal, eu já estava trampando com o pessoal da galeria por um ano. E como ela fica em Los Angeles, a aceitação para o meu trabalho mais agressivo acredito que foi mais fácil do que em outras áreas. Eu penso em voltar para a Califórnia com outra expo, se possível solo, ainda esse ano. Curti muito a Califórnia para o esquema de arte. Eu fiz uma instalação em mais ou menos 12 metros de parede por uns 4 de altura, somente com colagem, foi legal.
VOID: E aqui pro Brasil, alguma novidade?
SESPER: Cara, eu continuo fazendo as paradas com a Element Advocate, eles me deram uma mão legal nesses últimos dois anos aqui no Brasil. Eu quero dar um gás numa expo mais interativa, áudio, vídeo e papel, tudo integrado em colagens.
VOID: Ah, uma coisa que eu quero muito ver pronta é o Reboard (documentário sobre a história da arte em shapes de Skate do Brasil), como tá isso?
SESPER: Terça que vem (05/05) eu vou na ESPN ao vivo, 2h da tarde, vou falar do Reboard e levar o último promo antes do lançamento. Tava trampando nisso hoje na madruga. Acordei às 4h e trampei até as 6h30, minhas filhas foram para a escola, voltei a dormir, aí acordei às 9h e pau no gato. Minha rotina tá assim.
VOID: Tua rotina é algo interessante mesmo. E os trabalhos vão sendo desenvolvidos no teu estúdio em casa?
SESPER: Sim, difícil eu me locomover para outros territórios. Na real, quando saio é para ir em reunião ou coisa parecida, e aí já nem volto mais, já fico na balada porque são raras essas ocasiões.
VOID: E onde tu costuma ir?
SESPER: Comer. Odeio som alto e não danço. E cinema com a mulher.
VOID: Já que tâmo nessa pegada meio “Caras”, o que tu curte comer? Tem uma dica de lugar? Que tipo de filme?
SESPER: Filmes do Clint Eastwood, não me venha com filme de arte. Se é para ir no cinema fora de casa, que seja então para assistir lixo. Restaurantes japoneses em São Paulo são muito baratos, então é uma sina.
VOID: (risos)
SESPER: Lixo por lixo. São Paulo lixo style.
VOID: Mas é tão ruim assim? Ou se aprende a conviver e ver coisas boas no meio do lixo?
SESPER: Lógico, não mudo daqui por nada, mas vivemos no meio do lixo.
VOID: Faz parte do teu trabalho um lance mais sujo, bagunçado, né? Parece ser uma estética bem paulista mesmo, que o cara precisa parar e prestar atenção pra dar valor.
SESPER: Sim, sem dúvida. Acredito que até neguinho decifrar a doidera demora.
VOID: Aproveitando a deixa do Clint, eu sou apaixonado por uma série de adesivos de faroeste, acho que do tempo da Most... Tem feito adesivos ainda?
SESPER: Cara, eu acho que apesar de estar produzindo muita colagem meu trabalho está num processo de organização. Acredito que tenho muitas possibilidades com o que crio atualmente, e adesivos são uma parte integrada no lance. Eu estou focando minha pesquisa muito em 88 até 92, pois eu acho um período de transição curioso. Tínhamos mercado e vendas e possibilidades, e no ano seguinte tínhamos que nos virar como homens da caverna para fazer vídeos, adesivos, etc., etc., etc. Era uma época em que neguinho falava “vou fazer arte de 14 cores” e podia fazer, pois tinha mercado. No ano seguinte, depois do Collor e de uma recessão da época do skate na gringa também, maluco fazia deck de 2 cores e tava felizão.
VOID: Então, uma coisa que eu tenho acompanhado e acho que é o teu trabalho mais legal atualmente é o blog. Como rola esse processo de subir os conteúdos lá?
SESPER: Ah, cara, eu acendo um beque e subo umas doideras que tão no HD. Nada é planejado. Aliás, a hora de acender um baseado é a hora de atualizar o blog. Por isso que às vezes eu até deleto no dia seguinte alguns posts (risos). Mas curto manter meus 3 blogs na medida do possível atualizados. É o zine do futuro, né, cara, mas ainda faço zine de papel. Às vezes procuro uma banda saudosista no YouTube e já emendo alguma coisa no blog, meio que rola assim. Na real é o passado das minhas influências com o futuro dos meus trabalhos.
VOID: Falando nisso, a Garage Fuzz vem desde esse tempo e vai até pro futuro. Fala um pouco da banda, do DVD que vai ser lançado...
SESPER: Acredito que até junho todo mundo já estará assistindo ao DVD. São 23 músicas num show ao vivo mais um documentário da banda e um CD com 3 músicas inéditas e 6 ao vivo. A banda se mantém por acreditar na música que faz, acredito que ainda temos muitas possibilidades futuras.
VOID: E o show foi em Santos, né? Como foi a sensação de ter passado do público para o palco na cidade natal?
SESPER: Cara, eu curto tocar em Santos, mas vou te dizer que não é jogo ganho, não. Aliás, são os shows que a galera mais cobra. Eu tenho certeza de que fizemos nossa parte na década de 90 para começar a ter mais bandas, etc.
VOID: Aproveitando que tu é um cara que tem conhecimento, algumas bandas brasileiras legais pro pessoal ouvir?
SESPER: DJ Dubstrong mixes, DJ Nuts mixes, Velho de Câncer...
VOID: Velho de Câncer?
SESPER: Isso, de Porto Alegre, mó som, capa de colagem da hora.
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