47 chuta - na caixa
quando hunter thompsom encontra alex delarge
por leandro vignoli
Sob a alcunha de L.A.B. – Less a Bullshit –, a recém-formada banda de Novo Hamburgo traz à tona um elaborado senso de psicodelia eletrônica futurista. Psicodelia porque cada um dos sons é longo, viajante e de extrema repetição. Eletrônica porque as melodias partem do sintético, embora cobertos por muita distorção de guitarra.
Futurista porque soa o exato oposto de qualquer banda revisionista. E por mais perigoso que seja o termo, a banda faz algo efetivamente moderno, sem parecer “pra frentex”. Com letras em português, sempre em tom de melancolia disfuncional, elas são mesmo menos que uma bobagem. Formada por Dan Schneider no baixo, vocal, synths e programações, Fê Fischer na guitarra e Moa Jnr. na bateria, é esse último que nos fala um pouco mais sobre qualé a do L.A.B.
VOID_Qual é a pilha da banda? Da onde vem e pra onde vai?
Moa Jnr._ Ninguém aqui começou a tocar ontem. Muita gente do cenário já nos conhece, de outras bandas e outros estilos. E vamos até onde nos deixarem ir, e se não deixarem vamos igual. Até as últimas conseqüências. Viemos pra ficar. Não tenha dúvida.
VOID_Como define o som da banda?
Moa Jnr._: Rock. Indie rock, com elementos eletrônicos. Rock eletrônico, pode ser também.
VOID_E porque não, simplesmente, electro-rock?
Moa Jnr_ Também tá valendo. Mas não dessa forma estereotipada que está por aí. Restritiva. Perdoem a minha concepção de mundo, mas acho que electro tá mais ligado a duplas e a entertainers, no melhor sentido da palavra. Estamos mais para shoegazer eletrônico. Mas com influência de electro, claro. Afinal, estamos em 2009. Somos uma banda de rock, man! Olhando predominantemente pra frente, não pra trás.
VOID_Músicas longas é conceito da banda? Ou músicas curtas é conceito das rádios?
Moa Jnr_ Fazendo uma analogia, músicas são como filmes. Precisam de climas, altos e baixos. É necessário um tempo para isso. Dizer que uma canção não pode passar de três ou quatro minutos é um exagero imposto por toda uma realidade que
nos cerca, nesse mundo da supervelocidade. Mas temos músicas curtas também. Ainda mais se comparadas a “Echoes”. (risos)
VOID_E que filme seria a L.A.B.?
Moa Jnr_ Laranja Mecânica, com certeza! Misturado com Medo e Delírio em Las Vegas.
VOID_Uma idéia de show ideal.
Moa Jnr_: Um show onde as pessoas se divirtam e curtam o show. Tenham bons momentos. Estamos ensaiando exaustivamente para o show de lançamento da banda.
VOID_Então, diz onde se encontram os sons da banda, e recomenda AQUELA ESPECIAL, que neguinho vai ouvir e definir vocês.
Moa Jnr_ Por enquanto temos algumas músicas disponibilizadas no MySpace e no TramaVirtual. E se tivesse que recomendar uma, recomendaria duas! “Segundo Andar” e “O Falastrão”. No MySpace também tem versões editadas dessas músicas, especialmente dedicadas aos mais impacientes.
Info: www.myspace.com/labrocklab
celebrity deathmatch
por leandro vignoli
Antes tínhamos blogs, e agora temos miniblogs. Antes tínhamos roqueiros fazendo cara de mau, agora temos roqueiros escrevendo em miniblogs. Pelo seu Twitter pessoal, Trent Reznor, cérebro do Nine Inch Nails, desabafou a respeito do álbum solo de Chris Cornell, dizendo-se desconfortável de tão constrangido.
A partir disso, Cornell, ex-Soundgarden e Audioslave, respondeu pelo seu Twitter pessoal, parafraseando a Bíblia: “Deixe aquele sem pecado que atire a primeira pedra”. Julgadores supremos que somos, damos um empate técnico pra essa disputa. Primeiro porque esse disco solo do Cornell, produzido pelo Timbaland, é realmente horrível e risonho. Segundo porque de fato Trent Reznor nunca fez algo tão relevante assim pra essa marra toda.
Agora o mais chato dessa rusga é uma espécie de falência do rock n’ roll como rebeldia estética. Antes os caras enfiavam o dedo na cara um do outro, comiam a namorada um do outro, cuspiam dentro da cerveja um do outro. E agora o que eles fazem? Postam em miniblogs. Por Deus, que vergonha.
rapazes que procuram rapazes
por leandro vignoli / foto: reprodução
Quem não consegue largar fora com a dignidade intacta (ironia!) é o Duran Duran. Outra vez eles estão de volta, desta vez para lançar um disco com produção do DJ e produtor Mark Ronson. Espécie de midas da cena indie inglesa atual, ele é o responsável pelo boom na carreira de Amy Winehouse e Lilly Allen, e do start na atual vencedora do Grammy de Revelação do Ano, Adele.
A colaboração, de qualquer modo, já havia acontecido ano passado, em uma edição do Smirnoff Experience, em Paris, quando Ronson deu pitaco nas versões ao vivo de “Girls on Film” e “A View to a Kill”. Desde que o Duran Duran voltou, em 2001, é o terceiro disco inédito, com o terceiro produtor diferente. Tentaram com o vintage brega Dallas Austin em Astronaut, e com o rei do pop Timbaland, em Red Carpet Massacre, os dois com retumbante insucesso.
A data ou o nome ou qualquer outra coisa sobre o novo álbum ainda não foi divulgado. Mas, enfim, é um disco do Duran Duran. Constranja-se por antecipação.
freadinha com estilo
por leandro vignoli
Uma boa aos feticheiros de plantão. Agora dá pra descolar uma roupa íntima da sua celebridade favorita sem infringir nenhuma lei ou mesmo fazer sexo casual com ela. A questão é que o jornalista do prestigiado jornal inglês The Guardian, Simon Hattenstone, pediu a algumas destas que enviassem suas cuecas e calcinhas pra serem vendidas pelo site do eBay.
A causa, que é beneficente, serve para ajudar a New North London Synagogue a arrecadar fundos para necessitados em busca de asilo (aliás, que irônico perceber judeus saxônicos em necessidade). Entre os que toparam ajudar estão Nick Cave, Sacha Baron Cohen e Alison Goldfrapp. Alguns desses itens estão para leilão, como a cueca do ex-Pulp Jarvis Cocker, por 195 dólares, e a calcinha-estilo-stripper de Fergie, pela pechincha de 89 dólares.
Caso tenha se interessado, vá ao eBay e mete um CELEBRITY UNDERWEAR no campo de busca que deve funcionar. Computador pessoal é bastante recomendado.
insulfilmes queimam o filme
por leandro vignoli
Mais um supergrupo na praça, aquele amontoado de artistas que um dia foram de bandas famosas e se juntam pra tirar o sufixo de -EX ao lado do seu nome. Bastante inusitado, o Tinted Windows é formado pelo vocalista Taylor Hanson (do Hanson), o guitarrista James Iha (ex-Smashing Pumpkins), o baixista Adam Schlesinger (Fountains of Wayne) e o baterista Bun E. Carlos, da veterana banda de arena-rock, Cheap Trick.
A estréia deles rolou em março, no festival texano South By SouthWest, e em estúdio o disco sai agora em abril. A primeira faixa de trabalho Kind of Girl, já está à disposição no MySpace da banda, juntamente com o videoclipe. Sem mais nada para falar desse projeto, o que me vem à cabeça é uma enorme linha do tempo.
Veja, o carinha do Hanson, quem diria, agora é um homem feito (ou enfim, algo aproximado), e o batera, que já era velho nos anos 70, pelos meus cálculos deve ter em torno dos 150 anos. E o Iha, bem, continua parecendo um japa esquálido com jeito de drag. Essa banda promete muito.
1001 discos para ouvir depois de morrer
por leandro vignoli
Desde que surgiu, o Brujeria se tornou uma instituição da desgraceira. Em bom português, “bruxaria”, a banda servia de pano de fundo para todo politicismo incorreto – ou incorretíssimo, num ponto de vista. O que a banda falava era anticristianismo, imigração ilegal, contrabando de drogas, sexo bizarro e, claro, muita feitiçaria. Efetivamente, nunca deu pra sacar até onde tudo era uma tiração de onda. A começar pelo título do álbum, Matando Güeros, algo aproximadamente traduzido como “Matando Branquelos” (“güero” é uma espécie de gíria ofensiva ao branco americano), sendo que o Brujeria era formado quase na íntegra pela branquelada ex-integrante de bandas bem famosas, entre eles Dino Casares, do Fear Factory, o baixista Billy Gould (ex-Faith No More), Jeff Walker (Carcass) e Shane Embury (Napalm Death).
Mesmo por isso, o álbum apresenta o mais profissional do chamado grindcore (o metal extremo que mais se aproxima da velocidade e do conceito hardcore), e de maneira alguma ruim. Pelo contrário, é um punhado de músicas que mal beiram os dois minutos, urros insanos, e com todo o resto fazendo “melodias” o mais rápidas que se pode. Agora, o inferno é inevitável ao ouvir esse disco por toda sua vibe maléfica. Algumas letras são “apenas” apologias da ilegalidade na cara dura (“Cruza la Frontera”, “Pura la Venta” e “Matando Güeros”), outras um estímulo à bruxaria (“Misas Negras”), e ainda outras uma mistura das duas coisas (“Narcos Satánicos”, algo como “traficantes satânicos”).
Inclusive, por esse apelo, os integrantes usavam pseudônimos e máscaras e, segundo consta, foram efetivamente perseguidos pelas forças do FBI, como ameaças de verdade. Alguma associação dos bons costumes também poderia ter feito. Músicas como “Chinga tu Madre” (“foda a sua mãe”) e “Molestando Niños Muertos” (“molestando crianças mortas”) ficam difíceis de serem cantadas até por nós, propagadores do imoral.
Não à toa, o disco foi banido em vários lugares pelo seu conteúdo, e por sua capa, essa lindeza de pessoa ali, segurando uma cabeça decapitada. Aliás, imagino que Matando Güeros na verdade não seria a trilha do inferno. Provável que fosse banido de lá também.



