auto-estrada

46 auto-estrada - Na Privada

d-pad hero

por piero barcellos

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Você percebe que alguém tem um gene gamer hardcore no DNA quando a criatura consegue se lembrar do primeiro game que jogou na vida, mas não se lembra quem foi a “homenageada” com o primeiro escabelamento solitário de palhaço. Para uma grande parte de jogadores viciados, o início de tudo foi na era dos videogames de 8 bits – Master System e Nintendinho.

 

E, apesar da evolução gráfica, dos desafios intermináveis, das múltiplas jogabilidades, ainda tem gente que tem saudade de jogar a boa e velha tosqueira do início dos anos 90.

 

Prova disso é o que os gringos Kent Hansen e Andreas Pedersen fizeram: uma versão do Guitar Hero para ser jogada no NES – o D-PAD Hero! Mas antes de você se emocionar e começar a assoprar desesperadamente a entrada do cartucho, saiba que o jogo foi criado para o emulador do console, ou seja, só roda no computador.

Para se emocionar, é só dar um pulo no site www.dpadhero.com e fazer o download. Ah, antes que eu me esqueça: Enduro e Brookie Shields, não necessariamente nesta mesma ordem.

viajando de qualquer jeito

por piero barcellos

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Ah, as promoções. O que seria dos pé-rapados sem elas? Independentemente de credo, orientação política e classe social, sempre tem alguém querendo ganhar algo na faixa, de mão beijada. Nem que seja um adesivo. Pior é que tem gente que dedica a sua vida a isso, e consegue muito mais do que um pedaço de papel autocolante. Já vi neguinho ganhar casa e mobiliar ela toda só com prêmios de concursos e sorteios por aí.

 

Agora, a promoção que o pessoal do filme The Wackness está fazendo é, no mínimo, inusitada. O filme que fala da relação entre um traficante e seu cliente psiquiatra está saindo em DVD na Grã-Bretanha. Quem comprar o DVD premiado ganhará uma viagem à Holanda e também um pacote de “maconha de qualidade”, para desfrutar dos sabores da erva enquanto estiver no país onde o consumo de drogas é legalizado. Como nem tudo é perfeito, a promoção não contempla a larica do futuro vencedor, que, ao que tudo indica, vai ser das grandes!

perversão japonesa virtual

por piero barcellos

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Se tem um lugar em que todo cidadão de bem deve temer colocar os pés, com certeza é o Japão. Você já leu aqui na VOID alguns lampejos do quão pervertidos são os compatriotas do Godzilla – de sutiãs para homens até festivais com pênis e vaginas gigantes andando pelas ruas. Tanto que hoje em dia tenho minhas dúvidas se aquele círculo vermelho é mesmo a representação do sol, ou de outra coisa redonda e avermelhada...

 

E, pra piorar a situação, a Illusion Software, uma produtora de games de lá, lançou “Rapelay” – jogo em que o objetivo nada puritano de quem estiver no comando é estuprar uma mulher e suas duas filhas na estação do metrô! E não pára por aí: para se consagrar vencedor, você precisa convencer as vítimas a fazer um aborto!

 

Nem nos pergunte quanto custa esta pérola, pois ele saiu de circulação logo após ter sua venda anunciada no site Amazon. Lógico que somos contra a idéia do “politicamente correto”, mas que está faltando um pouco de bom senso aos japoneses, ah está (e sim, fiquei curioso para jogar)!

 

tokyo tunnin style

por felipe de souza

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Você reclama por ter que dividir o mesmo pavimento com Cheveteras Tubarão tunadas até a medula, com seus motoristas emanando mantras funkeiros de alto-falantes afônicos?

 Buenas, pode ser que você sinta saudade dessa demência depois de passar uns dias no Japão. O blogueiro Danny Choo, que escreve para o Boing Boing (www.boingboing.net) publicou umas fotos dos Itasha, que é o nome dado pelos japas que metem adesivos gigantes de anime em seus carros.

Se o prefeito Kassab vê um desses, tem um piripaque na hora.

milton glaser x shepard fairey

por felipe de souza

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Não é só no Brasil que depois que nego faz sucesso começa a levar porrada. Nos Estados Unidos a coisa também não foge à regra. Exemplo disso é Shepard Fairey, o cara que criou aquele pôster para a campanha do Obama. Pois é, depois de surfar no hype da eleição do primeiro nigga na terra do Tio Sam, ele começa a levar umas chapuletadas.

A primeira delas foi de Milton Glaser, criador da icônica imagem I Love New York, que estampa desde adesivos de carro até roupas íntimas, e também autor de pôsteres para Bob Dylan. Pois Mr. Glaser desceu o tacape nos cornos de Fairey, dizendo que nada de muito original foi acrescentado na foto da Associated Press, que deu base para o trampo do cara. Pra completar, Glaser disse que Shepard “é um mau exemplo para os estudantes”.

Cotovelos assados, canelas ardendo e inveja rasteira não é privilégio do terceiro mundo.

disque "p" para peitões

por piero barcellos

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O professor Hideto Tomabechi, especializado em ciência cognitiva, desenvolveu um ringtone de 30s que provoca o aumento dos seios! Depois de ouvir por uma semana a musiquinha, chamada carinhosamente de Rock Melon, algumas mulheres perceberam realmente o crescimento da comissão de frente. O próximo passo do cientista é criar toques que combatam o fumo e a calvície.

 Aprovamos a iniciativa e esperamos que Rock Melon toque em tudo que é rádio, tenha clipe rodando na MTV, vire música ambiente pra consultório médico...

tattoos, kerouac e burroughs na passarela

por felipe de souza

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A modelo Marina Dias posou com exclusividade para um ensaio fotografado por Fabian Gloeden, que vai ser publicado na próxima edição da VOID. Aproveitamos sua meteórica passagem pela cidade para bater um papo com a menina que ostenta um currículo que tem Fendi e L’Oreal, uma pele alva e bem cuidada ilustrada por cerca de 16 tattoos e uma trajetória que começou com o trabalho de door woman na frenética noite paulistana.

Como se não bastasse, Marina é dona de um bom-humor e camaradagem que não são abalados nem quando o repórter mala se infiltra no camarim e metralha perguntas enquanto ela se maquia para mais um trampo.

VOID - Como pintou a idéia do ensaio pra VOID?

Marina - Meu produtor, que já trabalha comigo há anos, me ligou perguntando se eu tinha interesse em vir pra cá trabalhar, e é obvio que aceitei. Sempre tenho interesse em ir pra qualquer lugar desse país a trabalho.

VOID - E agora você está trabalhando e vivendo em São Paulo?

Marina - Sim, estou lá há dois anos já...

VOID - Xeretando sua vida descobri que você tá fazendo uns trampos de ilustração...

Marina - Eu faço muitas coisas, como consultoria de moda e direção de casting para algumas marcas. Aí tem a ilustração, que é novidade na minha vida. Fiz um trabalho para a marca Urussai. (*), que até participou da mostra da Casa de Criadores e sou DJ também.

VOID – Sério? Onde você tem tocado?

Marina - Fizemos um grupo de rock dançante que se chama The Polainas. Somos nove amigas, umas tocam, outras dançam, outras promovem. Tocamos no Vegas, às vezes no D-Edge. Fazemos uma grande salada, pegamos uns flash rock 80, passamos pelos 90, algumas coisas novas...Mas é mais pra tocar coisa velha do que nova.

VOID – E você começou trampando na noite mesmo né?

Marina - Isso, eu trabalhava na porta do Hells quando eu tinha de 17 pra 18 anos.

VOID - E como era esse trampo, fazia seleção pelo dress code das figuras que pintavam?

Marina - Não, não era assim não! Nunca tivemos uma door policy. Nunca escolhíamos as pessoas que entravam, a gente só recebia os convidados vips, ao contrário do que as pessoas pensavam, de que a gente escolhia na porta (risos). Eu até gostaria de escolher, de chegar pra alguém e dizer: "Você mal vestido! Não vai entrar não!", mas nunca fiz isso (risos). Naquela época, todos os estilistas e maquiadores frequentavam o local e a gente começou a criar um conceito nosso do que era legal, isso lá no começo dos anos 2000. Lá por 95, 96 começou aquela vontade de fazer uma moda mais underground, com mais atitude. E foi assim que começou tudo. Alexandre Hercovitch, Cesar Fassina, Paulo Martinez, todos eles eram frequentadores do Hells.

VOID - Foi aí que você começou a trabalhar com moda...Como é modelar não tendo aquela beleza clássica, quer dizer, você tem tatuagens...
Marina - Eu nunca percebi essa diferença. Meu pai era fotógrafo e eu meio que sempre fui modelo a vida inteira, sempre ao redor da câmera, foi muito natural. Eu só percebi que eu causei alguma mudança depois.

VOID -  Esse lance de ser ilustradora, tu pensa em tocar em frente?

Marina - Super! Tenho um pai fotógrafo e mãe que é artista plástica e música, então eu to nesse meio, moda arte, música... Imagem em geral.

VOID - E como foi aquela época em que você trabalhou pra marcas como Fendi e L'oreal?

Marina - É engraçado que a gente vai perceber só depois da primeira campanha e do desfile. Você percebe só depois que vai  fazer o próximo trabalho, quando você é tratado com uma certa diferença, sabe? Um certo carinho, um carinho a mais. A L'oreal foi uma delícia fazer, porque era uma campanha de cabelo, então era muito divertido. E eu também sou muito forte em desfile, apesar de eu ser menor...

VOID - Menor é quanto?

Marina - Eu tenho 1,74 m e o normal começa lá pelos 1,78. Mas isso eu também não percebi, só fui me ligar que eu era pequena depois. E o que eu mais fiz mesmo foi beleza e desfile. Beleza porque eu sempre tive uma coisa meio dúbia, de ser tatuada e ter um rosto clássico. Trabalhei muito com beleza pelo meu rosto e desfile pelas tatoos. Sempre tive esse balanço de ser comercial com um pé no underground.

VOID - E os seus estilistas favoritos, quem são?
Marina - Ah, eu tenho os meus queridinhos, A minha única alta costura que eu fiz foi Tierry Mugler, ele nem faz mais desfiles hoje em dia, mas foi alguém que eu me identificava muito. Ele trabalhava com o fetiche, fazendo peças com borracha, corselete...Trabalhei com ele num evento muito mainstream que foi a Semana de Moda de Paris. O cara fazia uma coisa muito fora do normal pra aquilo que estava acontecendo na época. Tem aqueles maravilhosos, Yves Saint Loraint, John Galiano...Acho que todos eles conseguiram fazer muitas coisas, mudar a maneira que a gente tem de ver a capa das pessoas e como essas pessoas conseguem expressar algo com uma roupa. Que na verdade a gente faz isso por causa das roupas. Porque afinal de contas, é tão importante escolher algo  que fique legal em você,  que condiz com aquilo que você está pensando no dia. A roupa é um instrumento, é um meio de chegar a um fim que eu não sei bem qual (risos)

Void - E agora, morando em São Paulo, quando você não está tocando nem fazendo trampos para a moda, o que gosta de fazer?

Marina - Olha, às vezes eu fujo pro Guarujá, ou entro no carro sem rumo, coloco um som e vou embora. Já fui muito baladeira na vida, agora estou mais calma. Hoje eu to mais beatnik, de ficar lendo um bom livro... Kerouac, Burroughs, essas coisas.

VOID - Nessa época das grandes campanhas internacionais, você morou em Paris. Conseguiu curtir a cidade, absorver as coisas legais do lugar?

Marina - Ah, consegui sim. Eu me sentia parisiense, acho que lá é minha segunda casa, apesar de eu odiar os parisienses, porque eles são chatos mesmo, de verdade. Eles são muito blasé. Não é a toa que essa palavra foi inventada lá... Eles não tem muita euforia com nada, nada é muito bom. Para eles as coisas, no máximo, só não são más. Tem uma hora que a gente que é brasileiro, eufórico, enche o saco.. Mas adoro Paris, pela questão da arquitetura, da literatura, da arte, tudo que eu gostava na minha adolescência e juventude tinha lá. Foi uma realização pessoal também.

VOID - E o que você gostava de fazer por lá?
Marina - Eu lembro de alguns cafés, de algumas praças. Mas na realidade eu fui uma andarilha em Paris, porque caminhava muito. A cidade foi uma grande companheira minha, eu e ela, eu e os paralelepípedos (risos).

VOID - Era uma vida meio solitária?

Marina- Ser modelo é uma vida solitária!

VOID  -Mas você não chegou a morar com outras modelos? Aquela coisa de morar uma galera no mesmo apê?

Marina - Eu nunca morei em apartamento de modelo, porque eu não era muito adolescente quando eu virei modelo, já tinha uns 18 anos. Morei com pessoal da agência de modelos, com outras pessoas mais velhas, mas nunca em apartamento só de modelos. Tentei fugir um pouco desse núcleo para ver se eu conseguia sentir de verdade o lugar onde eu estava. Senão  a gente fica naquela panelinha brasileira e isso não é legal.

VOID - E as suas tattoos? Você tem um tatuador preferido?

Marina - Tenho alguns tatuadores que eu adoro. Tenho um que é do meu coração que é o Mauricio Teodoro, que fez essas flores no meu braço, que eu adoro. Ele é uma pessoa de uma delicadeza incrível, tem a capacidade de prestar atenção naquilo que você quer, ver quem você é e fazer um desenho que você vai gostar pro resto da sua vida. Tenho o Hercoly, que eu também amo. Ele é ótimo no preto e branco, nas linhas. Ele consegue fazer um traço mais fino, mais delicado. Tem o Ivan Szazi, que também é uma das minhas paixõe. Ele faz o melhor oriental. E tem um cara com quem eu nunca tatuei que é o Jun Matsui, que faz um lance quase tribal, preto e branco chapado. Ele é brasileiro e mora no Japão.

VOID - E tens planos para outras tattoos?

Marina - Eu sou calma nos meus planos. Tatuagem é paixão, paixão pela vida, paixão pelas coisas...É com ela que você marca coisas da sua vida e agora estou esperando um próximo momento.

VOID - Nunca fez a bobagem de entregar uma perna ou um braço para alguém que estava aprendendo?

Marina - Uma perna não!(risos). Mas tenho meus erros também. Eu comecei a tatuar muito cedo, bem menina, e todo mundo que começa a tatuar cedo faz lá suas porcarias, não tem jeito. Mas a gente conserta, faz outra em cima (risos).

(*)www.urussai.com.br